quarta-feira

Iludir o esquecimento


Quando voltares
verás que nada mudou,
exceto as coisas todas...
as cores e aparências,
os tons, os rostos,
as almas que se vendem
e as crenças que se agarram,
o correr banal da vida
e o estranho modo
de iludir esquecimento...
Só eu fico o mesmo,
com um ramo de sonhos
e um riso lindo,
à tua espera.

(Luís Rosa )

Foto: pesquisa Google

terça-feira

Escrevo para Ti


Hoje escrevo para ti  
Sem medo dos Olhares 
Sim…para ti 
Que és o meu horizonte 
O meu brilho no olhar 
O meu sorriso lunar 
Em ti quero deixar 
O meu encanto estrelar 
Ser uma constelação 
Cintilante ao luar 
Para nós tudo pode acontecer 
Mas….tenho tanto medo! 
As lágrimas surgem sem querer 
A saudade lembra tristezas 
Que não quero recordar 
Não fujas… para um outro caminhar 
Faz tudo valer a pena  
É contigo que quero viajar!...


**M.M.**


Foto: pesquisa google

Ainda é tempo de sonhar!...


O sono invade-me nas noites geladas
e nas paredes do meu quarto
desenho em palavras desconexas
sombras de um sonho irreal
complexo e cheio de utopias
E na escuridão da noite
onde me perco e me acho
junto afetos, desafetos
encontros, desencontros
tropeços e acertos
E da janela do meu quarto
vem dizer-me  a luz do luar
Que ainda é tempo de sonhar!


                                                                        **M.M**

Foto: Pesquisa google

domingo

Preciso de Silêncio!...


Preciso de Silêncio
de me ausentar de Ti
de ficar invisivel e imune
ao digerir dos teus fantasmas,
porque mesmo que não saibas
são os Teus Silêncios
a razão do Meu Grito


 Hoje!...

Preciso do Silêncio
que se ouve com o Coração
do ping-ping da chuva
na vidraça da minha janela
do Silêncio das ondas do mar
do esvoaçar das gaivotas
com a noite a chegar


 Hoje!...

No Meu Silêncio
quando Te digo que quero
SILÊNCIO....
Dá-me apenas o Silêncio
para nele me afogar!


**M.M.**

Não há mais nada para ler!


No silêncio da madrugada
As palavras que ficaram por dizer
Vêm de mansinho
E sussurram-me ao coração
Que se faz tarde

Olho a ambiguidade dos teus olhos
Outrora claros, límpidos e transparentes
Como o azul do mar, na calmaria do Verão

A noite é já escura
Nada no teu olhar faz luz
Mas vejo-te…
Na sagacidade com que utilizas as palavras
Ocultando a verdade
Dos mistérios que te habitam

Já não te reconheço
Já não sei quem és
És talvez o banco vazio
No jardim da minha credulidade
Não te reconheço…e sorrio
Até na tristeza sorrio

E no silêncio da noite
Olho para as minhas mãos
Onde as linhas do destino se cruzam
Não há mais reticências
Nesta minha criação elaborada

Nada mais há para escrever
O fim já cá mora
Não há mais nada para ler,
Não há mais nada para ler!

**M.M.**

sábado

Refúgio!...


És o meu refúgio

Quando a saudade vem de mansinho
E teima em invadir todo o meu ser
És o meu refúgio
Quando uma lágrima rola sem querer
E num gesto repetido
Sorves cada gota salgada, amarga
Que me queima e me sufoca
Bebida que me deste a beber
És o meu refúgio
Sempre que a esperança me surge no olhar
Me dás a mão e descalços caminhamos
Sem rumo certo, dias infinitos
Até que tu, o meu refúgio
Abraças-me tanto, tanto
Que me sufocas
E deixo de existir!...







**M.M.**

segunda-feira

Ausência



Faz frio lá fora!

O vento suão

entra pelas frestas

da janela envelhecida

Doem-me os ossos já gastos

pelo gelo da tua ausência

Choras por mim - disseram-me

A cada dia que passa

procuras-me por entre a multidão

escreves-me cartas de amor

que ainda não li

cantas  serenatas,

à janela do meu quarto

vagueias pela noite dentro,

à procura de mim...

E eu aqui à tua espera!...

** M. M.**

sexta-feira

RENÚNCIA


E o pássaro de fogo
fez rumo ao infinito,
sujeito à força rude do destino.
Sustinha a ânsia imensa de gritar
a dor tão grande,
que anula a própria dor
sentida...
Nunca mais seria o mesmo!
O sonho inatingível,
renascendo sempre,
misturava dias e ilusões sem vida
no rosto amargo,
mascarado em riso,
pois, para alcançar,
o preço era esquecer o paraíso.

(Luis Rosa in, Poemas de Amar e Pensar um Pouco)

quarta-feira

O Sonho


Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.


(Sebastião da Gama in, Pelo Sonho é que Vamos)

domingo

Para Sempre



Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

 
(Carlos Drummond de Andrade)